
Lucas Pinheiro Braathen conquistou neste sábado (14) a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada de Inverno. E logo a de ouro. O esquiador de 25 anos venceu a prova do slalom gigante nos Jogos de Milão e Cortina.
Ele assumiu a liderança na primeira descida, ao concluir o percurso em 1min13s92. Apesar de fazer apenas o 11º melhor tempo na descida seguinte (1min11s08), a marca foi suficiente para o brasileiro se manter à frente dos suíços Marco Odermatt, prata, e Meillard, bronze.
O slalom gigante consiste em duas descidas em um percurso com mastros fincados na neve, as chamadas “portas”, separadas por cerca de 25 metros. O esquiador deve passar entre eles. Vence quem obtiver a menor somatória de tempo.
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas nasceu em Oslo, capital na Noruega. Competiu pelo país europeu até 2023, quando anunciou a aposentadoria precoce aos 23 anos. Na volta, decidiu competir pelo Brasil.
Durante a infância, Lucas morou por um curto período em São Paulo, após o divórcio dos pais. Seus avós residem em Campinas (SP), e ele também tem primos em São Paulo.
Sonhava se tornar jogador de futebol. Passava horas assistindo a vídeos de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho no YouTube. Aos nove anos de idade, no entanto, decidiu dar uma oportunidade ao pai, que desejava apresentá-lo ao esqui alpino — modalidade muito mais popular que o futebol na Noruega.
Sua evolução foi rápida. Aos 14 anos, passou a integrar a equipe norueguesa de desenvolvimento da modalidade. Dois anos depois, aos 16, tornou-se atleta federado pela Noruega junto à Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS). Na temporada 2018/2019, quando tinha 18 anos, chamou atenção internacionalmente ao conquistar duas medalhas no Mundial Júnior de Esqui Alpino: prata no Super G e bronze no Combinado.
Na mesma temporada, Lucas fez sua estreia em etapas da Copa do Mundo, surgindo como um dos jovens talentos do esqui norueguês. O primeiro pódio veio logo na abertura da temporada 2020/2021. Ele conquistou a medalha de ouro no slalom gigante em Sölden, na Áustria, momento em que passou a viralizar também entre o público brasileiro.
Menos de três meses depois, sofreu uma grave lesão com rompimento de ligamentos nos joelhos, que o afastou do restante da temporada e o impediu de disputar o Campeonato Mundial de 2021. O processo de recuperação durou oito meses, e seu retorno ocorreu na temporada 2021/2022.
Nessa volta, alcançou novamente o topo do pódio, conquistando ouro no slalom em Wengen, na Suíça. Ao longo da temporada, somou mais cinco pódios — três medalhas de prata e duas de bronze. Já nos Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing 2022, não conseguiu repetir o bom desempenho e acabou fora da classificação final.
A melhor fase da carreira até então veio na temporada seguinte, 2022/2023. Em 20 provas da Copa do Mundo, Lucas subiu ao pódio sete vezes (três ouros, uma prata e três bronzes) e terminou entre os dez primeiros colocados em 17 oportunidades.
Já consolidado como uma das grandes estrelas do esqui alpino, Lucas surpreendeu o cenário esportivo ao anunciar sua aposentadoria aos 23 anos, na véspera do início da temporada 2023/2024.
A decisão foi motivada por divergências com a federação norueguesa, especialmente relacionadas à exposição de patrocinadores, regras de vestimenta e participação em eventos.
Ele manteve sua decisão. Alugou seu apartamento em Oslo, passou um período de férias em Ilhabela, no litoral paulista, e só retornou à Europa em janeiro de 2024, quando a temporada já estava em andamento.
Convidado a participar de eventos ligados às etapas da Copa do Mundo, passou a reconsiderar a aposentadoria e a possibilidade de voltar às competições representando o Brasil.
Após alinhar-se com seus patrocinadores e com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), anunciou oficialmente seu retorno em maio de 2024. Também obteve autorização da Noruega para a troca de cidadania esportiva, o que lhe permitiu manter seus pontos na FIS e estrear imediatamente na Copa do Mundo na temporada seguinte.
Sua reestreia como atleta brasileiro aconteceu na temporada 2024/2025. Mesmo largando em posições desfavoráveis, terminou em quarto lugar no slalom gigante em Sölden, na Áustria, e repetiu a colocação no slalom em Levi, na Finlândia. O primeiro pódio defendendo o Brasil veio no slalom gigante em Beaver Creek, nos Estados Unidos.
* com informações da Agência Brasil e do COB










